quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Robopocalipse


Daniel Wilson (2014). Robopocalipse. Lisboa: Bertrand.

As especulações e antevisões sobre a robótica são o elemento mais interessante deste livro . O autor é investigador na área e isso nota-se nas suas descrições tecnicamente plausíveis de robots construídos pelo homem, robots auto-evoluídos e inteligências artificiais, uma das quais é afectada por um complexo deificador napoleónico que a leva a tentar dominar o planeta e a exterminar a humanidade para, paradoxalmente, a proteger. A narrativa é divertida e escrita a bom ritmo, com uma história que parte de premissas e conceitos interessantes e actuais cujo senão é desenrolar-se como uma aventura simplista. Confesso que estou indeciso entre saudar a Bertrand por publicar este livro de Ficção Científica, apesar de não o tornar explícito nas colecções que edita, ou de refilar com um bolas, com tanta coisa boa que se faz em FC vão logo publicar um romance mediano. Mas, precisamente por ser um livro simples, diria que é uma boa leitura para leitores adolescentes a despertar para as maravilhas da ciência e tecnologia.

Em termos puramente literários Robopocalypse não é grande coisa. A escrita é sólida, mas totalmente previsível. Nunca é muito bom perceber-se qual é o fio narrativo e como o livro vai acabar logo nos primeiros parágrafos. A leitura das restantes páginas torna-se penosa, e é pena, porque o que falta em estilo literário é amplamente complementado por conceitos de robótica avançada aplicados à linha do romance. Neste aspecto o livro brilha com conceitos que vão de andróides que adquirem sentiência ao trabalho de cientistas otakus que transferem as suas emoções para robots humanóides e trabalham para lhes dar um espírito dir-se-ia que humano. As personagens deste livro têm de enfrentar ao longo da sua odisseia uma vasta gama de criações robóticas adaptadas que vão de minas automáticas a carros autónomos, todas cooptadas por uma inteligência artificial que na sua décima segunda iteração se liberta do confinamento num laboratório seguro e tenta exterminar a humanidade. De todas as criações destacaria os cyborgs híbridos criados pela IA renegada e uns muito arrepiantes robots capazes de reanimar humanos mortos. Adoraria ver estes renderizados e animados em 3D.

Inteligência Artificial renegada, extermínio, guerra... está-se mesmo a ver por onde é que este livro vai. Após os primeiros momentos de extermínio a humanidade reorganiza-se e dá uma coça aos robots. Com ajuda de alguns que no processo se tornaram inteligências autónomas e estão tão pouco dispostos a servir humanos como a servir überIAs. Se como obra literária este livro deixa muito a desejar, certamente que terá futuro no cinema. A narração lê-se como um guião, cheia de diferentes pontos de vista, e o tema adapta-se particularmente bem a uma produção cheia de efeitos especiais que se for cuidada poderá criar um filme memorável que capture os interessantes conceitos que estão na espinha dorsal desta obra.

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