quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Leituras Assustadoras


Porque o terror literário é divertido, assustamos com esta imagem evocativa criada por Carl Barks, o ilustrador que deu a forma que conhecemos aos personagens da Disney. Não haveria Pato Donald e amigos sem o seu trabalho.

31 de Outubro, noite dos terrores, dos ruídos soturnos, dos calafrios provados pelo medo do desconhecido. Que leituras poderemos escolher para nos arrepiarmos ainda mais na noite dos arrepios? Podemos mergulhar no soturno século XIX com as fabulosas histórias arrepiantes de Edgar Allan Poe. Entre as Histórias Extraordinárias e Os Crimes da Rua Morgue (livro recomendado pelo PNL) o assombro é garantido. Ou então porque não pegar na prosa encantadora de Neil Gaiman e ficar a conhecer o rapaz que vive num cemitério, educado pelos simpáticos fantasmas em A Estranha Vida de Nobody Owens? Para os fãs de horrores mais apocalípticos fica a sugestão de descobrir a obra de H. P. Lovecraft. Quem descobre os terrores de Cthulhu e dos restantes pesadelos congeminados descobre uma paixão literária para a vida. Traduções de Lovecraft para português estão disponíveis graças à editora Saída de Emergência.

Ou, porque não, pegar nos clássicos Drácula e Frankenstein descobrindo os textos originais que são tão influentes noutros livros, no cinema ou jogos? Leitores com gosto mais contemporâneo podem descobrir os livros de Stephen King ou Richard Matheson. Quem lê em inglês pode - deve - experimentar a tradição de ler A Night In The Lonesome October, romance de Roger Zelazny que reúne todos os monstros imaginários do cinema e literatura numa luta pelo domínio do mundo cujo clímax acontece na noite do Halloween. A tradição é ler um capítulo por dia até ao ao dia 31, onde se descobre se são os bons ou os maus monstros os que saem vencedores da luta que todos os anos se repete.

Procurem estes (e outros) livros nas vossas bibliotecas escolares. Boas leituras e bons arrepios! I bid you good evening.

domingo, 27 de outubro de 2013

Leiam.

Numa palestra recente sobre o futuro das bibliotecas, Neil Gaiman faz uma brilhante apologia do livro e da literatura como recreio da mente, assumindo o mergulho em mundos de fantasia como um recreio para a imaginação que nos enriquece enquanto pessoas. Toca de forma brilhante em vertentes aparentemente tão díspares quanto o carácter preditivo da ficção científica e sua influência sobre cientistas e engenheiros, liberdades de escolha literária, o saber dar espaço às crianças para desenvolverem o seu gosto sem imposições externas, bibliotecas como centros que permitem acesso gratuito à cultura. E, essencialmente, da leitura como porta de acesso e estímulo à imaginação humana, libertando a mente, abrindo novos horizontes e estimulando o desenvolvimento individual.

Gaiman termina citando Einstein, dizendo que "asked once how we could make our children intelligent. His reply was both simple and wise. "If you want your children to be intelligent," he said, "read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." He understood the value of reading, and of imagining. I hope we can give our children a world in which they will read, and be read to, and imagine, and understand." Mas talvez a melhor frase em que Gaiman sintetiza com precisão onde quer chegar com a sua mensagem é um tornear da ideia de Tolkien que aqueles que mais lutam contra o escape às normalidades são habitualmente carcereiros. Ler, descobrir, imaginar são acções que quebram grilhões. Leiam aqui, em inglês, tudo o que o autor tem para dizer. Porque vale a pena: Why Our Future Depends On Libraries, Reading and Daydreaming.

domingo, 6 de outubro de 2013

Porquê ler FC?

Porquê ler Ficção Científica e Fantástica? Podemos pensar em muitas razões que vão da exposição à imaginação pura à capacidade de especulação com base em conceitos científicos. No que toca à aprendizagem de línguas maternas e não maternas, estímulo ao gosto pela leitura e abordagem aos elementos das estruturas narrativas e gramática o Plano Nacional de Leitura dá-nos um conjunto de razões pertinentes para descobrir estes géneros literários, caracterizando-os de acordo com a sua estrutura e potenciais formativos:

Estrutura:
• Relato de acontecimentos que pelo facto de se desenrolarem no futuro ou em mundos paralelos incentivam uma utilização muito livre das várias estruturas típicas da narrativa.
• A sequência que pode ser ou não cronológica inclui geralmente o recurso ao flash-back e projecções no futuro.
• As personagens – seres humanos deslocados do seu ambiente, indivíduos com poderes especiais, extraterrestres, etc. – combinam exotismo e credibilidade pois as emoções e sentimentos, embora muito circunstanciados, são afinal os de sempre.
• Encontros, conflitos, peripécias variadas funcionam com pretexto para apresentar ao leitor tecnologias inéditas, feitiçarias.
 • As histórias desenrolam-se em lugares imaginários, outros planetas, a quarta dimensão, a Terra no futuro, cidades reais modificadas, recantos do mundo com um toque mágico, etc.
• A linguagem recorre com frequência a longas descrições, sem no entanto prescindir dos diálogos. Inclui vocabulário e construções gramaticais pouco vulgares e em certos casos, linguagens alternativas.

Potencial formativo:
• Estimula a imaginação e desafia o leitor a posicionar-se noutros universos.
• Desenvolve a capacidade de ler textos que intercalam tempos diferentes.
• Oferece cenários que extravasam o conhecimento do mundo real e estimulam o desejo de conceber espaços originais.
• Permite a evasão dos problemas e tensões do quotidiano através do convívio com personagens que possuem características e poderes próprios do sonho.
• Contribui para o enriquecimento do vocabulário.
• Promove a compreensão de construções gramaticais menos frequentes.

(Retirado do website do PNL)